
tudo o que brota e floresce no meu jardim
recebi esse precioso presente do blog jardim das idéias: jardim para sempre - manual prático para manutenção de jardins, de raul cânovas. uma edição muito bonita e cheia de dicas muito importantes e necessárias, prá quem como eu, gosta de brincar de jardinagem. o blog também é muito interessante, o próprio raul é o principal colaborador...



algumas flores desta suculenta, que floriu pela primeira vez aqui em casa, e já está comigo há uns dois anos.... e aí embaixo umas fotos de outras flores...
recebi hoje da querida jane sprenger:
na última semana, estive em guaíra - pr, ministrando uma oficina para artesãos associados à ñandeva, que é um programa trinacional de artesanato. além da oficina, houveram outras atividades de integração, como a visita ao atelier do escultor frei pacífico, que montou um museu pessoal na sua casa... em torno da casa, um jardim encantador, formado por árvores nativas, repletas de plantas aéreas... seguem algumas das fotos que captei por lá...















queridos, depois de uma breve pausa, estou por aqui de novo... trouxe muitas imagens da minha viagem, mas preciso fazer uma boa edição delas, e agora não tenho este tempo... em breve publicarei as coisas interessantes que vi pelo oeste do paraná... as primeiras fotos são imagens que captei da janela do hotel em foz do iguaçu, e esta última é de um jardim em guaíra.
a mãe achou meio estranho quando parei o carro pra recolher a pia abandonada ao lado do poste... quase nova: uma rachadura na lateral direita, e o resto pura louça esmaltada de alta qualidade. passei na loja de ferragens, comprei parafusos e buchas reforçadas, uma broca de vídia (para furar o muro), e aproveitei a habilidade do meu pai para fixá-la ao lado da minha estante de suculentas... ainda não tive tempo de plantar o que imagino nela, mas acomodei três vasos disfarçadamente ali, e vejam o resultado:




este vaso estava em um canto do jardim, onde enterrei várias mudas, inclusive uma poda de roseira, que ficou bem adaptada ali. há uns dias apareceu um botão, que abriu na sexta feira. eu trouxe o vaso para perto da porta do atelier e ela vem nos carinhando com seu quase exagero de pétalas e um perfume delicioso. ontem foi dia de são francisco, protetor dos animais e de toda a natureza, por isso, em homenagem, estão aí a rosa e a fraulein, nossa "cã"...



ainda detalhes da visita à casa ite/marci... montes de detalhes, conferidos de perto pela flora, sempre muito interessada em jardins...




"Kátia, essa planta é o tapete inglês. O nome científico é Polygonum capitatum, orignária do Himalaia e da Índia. Lá no Jardim das Sensações do Jardim Botânico (Curitiba) tem dela."

















essa instalação é obra do meu irmão henrique: um mergulhadorzinho de brinquedo explorando a floresta de crássulas de um pequeno vaso em frente à janela. muito surreal, não é?Cecília Meireles
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.